segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Informações úteis


Estão abertas as inscrições para a nossa catequese, na secretaria paroquial. Devem fazer as inscrições todas as crianças, adolescentes e jovens que vêm pela primeira vez para a Catequese. Devem trazer uma fotografia tipo passe. A nossa Catequese começa no sábado, dia 23 de setembro, às 17:15h. A Eucaristia será no sábado (vespertina) às 18:45h. 

Às 15:30 horas haverá reunião geral de catequistas.


Na nossa Paróquia já não recebemos roupa usada. Quem desejar doar roupa usada poderá entrega-la na Igreja de S. Francisco. Muito obrigado. 

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Unidos à Diocese do Porto e Igreja em Portugal

Faleceu D. António Francisco dos Santos, bispo do Porto


«Se conhecesses
o mistério imenso do céu onde agora vivo,
este horizonte sem fim,
esta luz que tudo reveste e penetra,
não chorarias, se me amas!

Estou já absorvido no encanto de Deus,
na sua infindável beleza.
Permanece em mim o seu amor,
uma enorme ternura,
que nem tu consegues imaginar.
Vivo numa alegria puríssima.
Nas angústias do tempo,
pensa nesta casa onde, um dia,
estaremos reunidos para além da morte,
matando a sede na inesgotável fonte
da alegria e do amor infinito.

(Santo Agostinho)


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Catequese - Ficha de Inscrição


Está disponível o formulário para a Inscrição na Catequese do próximo ano.

Todos os catequizandos que frequentaram o ano passado a Catequese, deverão também renovar a sua inscrição.


Ficha de 1ª. inscrição na Catequese (a entregar diretamente na Secretaria da Paróquia), é necessária uma foto da criança 



Ficha de renovação da Catequese - a entregar na Secretaria da Paróquia ou enviar por email: paroquiaspedro@gmail.com




sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Inscrições para a Catequese


 Na secretaria da Paróquia de terça a sexta-feira 
das 9:30 às 12:30 e das 15:30 às 18:00

sábado, 3 de junho de 2017

Solenidade de Pentecostes

Pentecostes, Arcabas (Jean-Marie Pirot), 114 x 146 cm, óleo sobre tela, ouro 24 quilates, 
Mosteiro Notre-Dame du Cénacle, Lyon, França, 2005.

"Sempre tentamos administrar o Espírito: dividi-Lo em doses e regulamentá-Lo. Temos a ilusão de que podemos usá-Lo para garantir a ordem e avalizar as nossas decisões como se fosse o árbitro nos jogos cujas regras foram por nós fixadas. Temos medo de nos deixar habitar pelo vento e pelo fogo. A nova criação nasce de um colossal incêndio, pois o Espírito vem e acende uma paixão. A vida no Espírito, como o fogo e o vento, é incontrolável, imprevisível e não pode ser programada jamais. 

O vento irrompe barulhento na casa e coloca para fora os seus ocupantes. O Espírito de Jesus arranca o medo, destrói a angústia e abre as portas que jamais deverão ser trancadas novamente. O teólogo von Balthasar adverte: “Se o Espírito não tivesse vindo, o mundo e a Igreja nunca teriam compreendido que a causa do judeu de Nazaré crucificado era algo mais que um assunto provinciano e historicamente sem importância”.
O Espírito é um refazer constante e um renascimento. Pentecostes conduz-nos a uma nova geografia amorosa do mundo. Todos os símbolos do Espírito são elementos em movimento, mas um movimento para os outros. Ao sermos habitados pelo Espírito, o coração se dilata e se banha de amor divino. O Espírito é um fogo cuja vinda é palavra e cujo silêncio é luz (Efrem da Síria). Somente o silêncio fala todas as línguas e a linguagem do Espírito é o silêncio oferecido ao Verbo. O Espírito que faz bater o coração de Deus é também o sopro que faz bater o coração do Homem.

O Espírito de Jesus encontra-se na oração, na solidariedade, no perdão, na palavra comprometida e na misericórdia que superam todas as fórmulas e as frases de conveniência, os conselhos moralizantes e as respostas pré-fabricadas. Jesus fala-nos de um pecado contra o Espírito que nunca terá perdão. É a blasfémia de conceder ao Espírito apenas um sussurro e uma subtil e vigiada fissura ao invés de janelas e portas abertas dos corações. O pecado irreparável é a pretensão de falar da coragem cristã e oferecer ao Espírito um pouco menos da metade de todo o resto que concedemos ao medo e a angústia. O pecado sem perdão é falar de Pentecostes sem nunca nos permitir experimentar e viver até as últimas consequências a sua embriaguez.

A Igreja de Jesus só despertará entusiasmo se anunciar as maravilhas de Deus que vira tudo do avesso, como cantou Maria no seu Magnificat. Os seguidores de Jesus devem ser ousados e capazes de ultrapassar as fronteiras em busca de novos horizontes. Os homens de Pentecostes surpreenderam, não porque apareceram comedidos, discretos e ajustados, mas porque apareceram excessivos: um pouco loucos e poetas."

Texto adaptado a partir de excertos do blog Matersol: http://matersol.blogspot.pt/

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Solenidade da Ascensão do Senhor - Visita do Provincial


O Padre Provincial José Frazão Correia sj, está de visita à nossa Comunidade. No sábado dia 27, esteve com alguns grupos de Catequese e teve oportunidade de dar uma palavra aos pais e catequistas presentes na Eucaristia, em que, com os jovens do 9º ano celebrámos a Festa do Compromisso.
A visita ainda está a decorrer, deixamos no entanto, algumas interpelações da homilia desse dia, na Solenidade da Ascensão do Senhor.

 “A Ascensão condensa/completa a Encarnação. Jesus regressa ao Pai, enriquecido agora com a experiência de ser homem - Jesus de Nazaré.
Jesus não regressa ao Pai como veio lembrou, nas mãos, nos pés e no peito estão as chagas sinal da Sua Paixão. Assumindo a vida de cada um de nós, o Cristo que sobe aos céus leva consigo as marcas da Sua humanidade E assim, assume a nossa humanidade, as nossas alegrias, as nossas feridas e as nossas dores.
Levando consigo a nossa vida, tudo o que somos agora está em Deus."



domingo, 21 de maio de 2017

VI Domingo da Páscoa


« A passagem evangélica deste domingo é a continuação direta da passagem do domingo passagem, tirado também do capítulo 14 do Evangelho segundo João. Se a primeira parte do capítulo tinha como tema a fé em Jesus (“Credes em Deus, crede também em mim”: Jo 14, 1), esta segunda parte tem como tema o amor por Jesus (“Se me amais, guardareis os meus mandamentos”: Jo 14, 15).
Nenhuma oposição entre fé em Jesus e amor por Jesus, porque crer não é um ato intelectual, mas é uma adesão, um envolvimento com a vida de Jesus; e um envolvimento pode ser implementado somente na liberdade e por amor.
A estrutura do trecho é evidente:
- um marco com as duas declarações inclusivas sobre o amor por Jesus (vv. 15 e 21);
- dois anúncios no seu interior: o dom do Espírito (vv. 16-17);
- a vinda de Cristo (vv. 18-20).
O tema do amor por Jesus já está presente nos seus lábios nos Evangelhos sinóticos: “Quem ama seu pai ou mãe mais do que a mim não é digno de mim” (Mt 10, 37); mas, no quarto Evangelho, esse amor é especificado, quase como se o redator temesse um equívoco. Assim como Jesus pediu para crer em Deus e também nele, assim também ele certamente pediu para amar a Deus e também a ele, mas sob condições precisas. Ele especifica particularmente que esse amor não se esgota em um desejo de Deus, em um anseio pelo divino, sem que nele esteja contida a disponibilidade de se conformar com aquilo que Deus quer, vontade de Deus manifestada na sua palavra, vontade a ser realizada todos os dias como observância concreta dos seus mandamentos.
É por isso que as palavras de Jesus parecem peremptórias: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos”. Em todas as vias religiosas ama-se a Deus, mas se pode amá-lo como um ídolo, especialmente se for um deus construído e “idealizado” por nós; ou, melhor, precisamente quando é um deus que é um produto nosso, nós o amamos mais!
Mas o nosso Deus vivo tem um rosto preciso. Não é a divindade, o divino: é o Deus que falou expressando a sua vontade, e só o ama verdadeiramente quem busca realizar, embora com dificuldade, tal vontade. Parece-me que não afirmamos com clareza e força suficientes essa verdade decisiva para a vida cristã, mas pensamos que basta dizer, por exemplo: “O que temos de mais caro no cristianismo é Jesus Cristo”, palavras que podem ser uma confissão de fé, contanto, porém, que Cristo não seja o “nosso Cristo”, aquele inventou e escolhido por nós, mas o Cristo Jesus narrado pelos Evangelhos e transmitido pela Igreja.
Amar Jesus, portanto, significa não só se alimentar de um amor de desejo, não só lhe dizer que a nossa alma tem sede dele, mas realizar aquilo que ele nos pede, observar o mandamento novo, isto é, último e definitivo, do amor recíproco. Conhecemos bem como Jesus formulou esse mandamento: “Assim como eu vos amei, assim também ameis uns aos outros”.
Atenção, Jesus não disse: “Assim como eu vos amei, assim também amai-me”, mas “ameis uns aos outros”. Porque ele nos ama sem nos pedir o retorno, mas nos pedindo que o seu amor que nos alcança, se difunda, se expanda como amor pelos outros, porque essa é a sua vontade de amor.
Ele dirá ainda: “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (Jo 15, 14), porque o discípulo não deve alimentar ilusões em si, cultivando o seu “eu religioso”, cheio de sentimentos afetivos por Deus ou por Jesus, mas ignorando as suas palavras, a sua vontade, a sua espera.   
(...) 
É o dom do Espírito, que é sempre o Espírito do amor que desce ao coração do cristão, dando-lhe a capacidade de responder ao Pai na liberdade e com amor. Graças ao amor por Jesus, portanto, podemos ser fiéis aos seus mandamentos; e, ao mesmo tempo, a observância dos seus mandamentos testemunha a autenticidade do nosso amor por ele. Esses mandamentos de Jesus não são uma lei – atenção para não fazer regressões! –, são Jesus mesmo, “caminho, verdade e vida” (Jo 14, 6), são uma vida humana concreta vivida no amor até o fim (cf. Jo 13, 1).
Depois da sua glorificação, o amor de Jesus pode ser experimentado pelo discípulo como amor do outro Consolador, do Espírito Santo sempre connosco por intercessão do próprio Jesus: Espírito que deve ser invocado por nós, acolhido, conservado, obedecido até ser a nossa “respiração”, aquilo que nos anima. Devemos confessar: esse Espírito não pode ser acolhido pelo mundo, aquele mundo que não é a humanidade tão amada por Deus (cf. Jo 3, 16), mas sim a estrutura mundana, o ordenamento de injustiça dominante sobre a terra que está em revolta contra Deus, isto é, contra o amor e contra a vida. Esse sistema de mentira organizada, de violência que não conhece limites, de injustiça que oprime os pobres e os pequenos, infelizmente, também engloba os homens e as mulheres alienados por ele.
(...)
Podemos ver Jesus à luz da fé, podemos experimentar a vida abundante que ele quer nos dar; mas muitas vezes somos incapazes de acolher o dom, somos cegos que dizem ver (cf. Jo 9, 40-41). Que essas palavras de Jesus, portanto, não se tornem fonte de justificação, impulsionando-nos a evitar a reivindicação da conversão e a não acolher aquele dom que nós não podemos nos dar: o dom do Espírito de Cristo, o dom do seu amor.
Eis, então, a conclusão, que retoma o início do discurso: “Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele”. Amar, observar os mandamentos é a condição para que Jesus se manifeste, e, na observância da vontade de Deus, através do amor fraterno, seremos amados por Deus e por Jesus.

A vida de Deus é um fluxo de amor no qual, se acolhemos o seu dom, podemos ser envolvidos. É isto que deveremos conhecer na embriaguez do Espírito e na comunhão com Cristo em cada Eucaristia que vivemos: uma celebração do amor!»

P. Enzo Bianchi, monge italiano fundador da Comunidade de Bose

sábado, 13 de maio de 2017

«Eu sou o caminho, a verdade e a vida»: Meditação sobre o Evangelho do 5.º Domingo da Páscoa (Jo 14,1-12)

Imagem: "Jesus e os seus discípulos" - Odilon Redon

Não se perturbe o vosso coração, tende confiança. São as palavras primárias da nossa relação com Deus e com a vida, aquelas que devem vir ao nosso encontro mal se abrem os olhos, a cada manhã: afastar o medo, ter confiança.

Ter confiança (nos outros, no mundo, no futuro) é um ato humano, humaníssimo, vital, que impulsiona para a vida. Sem a confiança não se pode ser humano. Sem a fé em alguém não é possível viver. Eu vivo porque confio. Neste ato humano respira a fé em Deus.

Tende fé em mim, Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Três palavras imensas. Que nenhuma explicação pode esgotar.

Eu sou a vida: a estrada para chegar a casa, a Deus, ao coração, aos outros. Sou o caminho: diante de mim não se ergue um muro ou uma barreira, mas horizontes abertos e uma meta. Sou a estrada que não se perde. (...)

Eu sou a verdade: não numa doutrina, num livro, numa lei melhor que outras, mas num "Eu" está a verdade, numa vida, na vida de Jesus, que veio para nos mostrar o verdadeiro rosto do homem e de Deus. O cristianismo não é um sistema de pensamento ou de ritos, mas uma história e uma vida (François Mauriac).

Eu sou: verdade desarmada é o seu movimento livre, real e amoroso entre as criaturas. Nunca arrogante. Com ternura, essa irmã da verdade. A verdade são olhos e mãos que ardem (Chistian Bobin). Assim é Jesus: acende olhos e mãos.

Eu sou a vida. Que tens a fazer comigo, Jesus de Nazaré? A resposta é uma pretensão não menos que excessiva, não menos que desconcertante: Eu faço viver. Palavras enormes, diante das quais experimento a vertigem. A minha vida explica-se com a vida de Deus. Na minha existência, mais Deus equivale a mais eu.

Quanto mais Evangelho entre na minha vida, mais vivo eu sou. No coração, na mente, no corpo. E opõe-se à pulsão de morte, à destrutividade que nutrimos dentro de nós com os nossos medos, à esterilidade de uma vida inútil.

Por fim intervém Filipe: «Mostra-nos o Pai, e isso nos basta». É belo que os apóstolos peçam, que queiram compreender, como nós. Filipe, quem me viu, viu o Pai. Olha para Jesus, vê como vive, como ama, como acolhe, como morre, e entenderás Deus e a vida.

P. Ermes Ronchi 

domingo, 7 de maio de 2017

Ser mãe é um mistério absoluto


No dia de todas as mães, a minha especial homenagem, através das palavras de um poeta admirável: Christian Bobin.

«Ela é bela, graças a este amor de que se despoja, a fim de com ele revestir a nudez do menino. É bela, pela solicitude com que acorre, uma e outra vez, ao quarto da criança.

Todas as mães possuem esta beleza.
Todas têm esta justeza, esta verdade, esta santidade.
Todas as mães têm esta graça que causa ciúmes ao próprio Deus...

A beleza das mães supera infinitamente a glória da natureza.
Ser mãe é um mistério absoluto, um mistério que não se assemelha a nada.

Não existe santidade maior que a das mães esgotadas pelas fraldas lavadas, pelo aquecer da papa, pelo banho a dar.

A maternidade é o que sustenta o fundo de tudo.
A maternidade é a superação do cansaço.»

Excertos do livro "Francisco e o Pequenino" de 
Christian Bobin

domingo, 30 de abril de 2017

O caminho de Emaús como quadro inspirador…


Jesus ressuscitado faz-se companheiro de caminho, simplesmente pela insinuação da sua presença. Com uma atenção extraordinária aos sinais corpóreos da desilusão interior, sabe colocar a pergunta certa, aquela que dá a palavra aos dois discípulos desiludidos e tristes e se faz verdadeira disposição a escutar. Ainda que seja para ouvir o que já sabe, dispõe-se a acolher o seu ponto de vista sobre os acontecimentos. A pergunta de Jesus dá a deixa, faz-se convite a revisitar e a repercorrer as estradas e os lugares do que os havia encantado e agora desilude. Entrando pela porta do sonho desfeito, Jesus rompe os lugares comuns da sua inteligência do divino para fazer entrever um outro rosto de Deus. No limite do que se lhes afigurava impossível, faz brotar sementes de possibilidade. Depois, narrados e iluminados os lugares revisitados, faz-se convidar. E à mesa, num gesto eucarístico, desperta os sentidos, toca a alma, cura o corpo, regenera toda a experiência. O anonimato dá lugar à comunhão. O seguimento e a missão vencem o abandono e o ressentimento. Finalmente, quando reconhecido, Jesus desaparece da sua vista. Aquele que, como corpo, se dá a comer é o mesmo que diz «não me tocar». A presença recusa fazer-se morada que aprisione, coisa que se possua. Agora, é nos lugares concretos da humanidade - em todos - que se viverá o contato vivificante com o Mestre.

Quanto poderemos aprender com esta forma de entrar na vida dos nossos contemporâneos e de comungar os movimentos das suas existências para, desse modo, criar um espaço de possibilidade para um encontro biográfico com o Senhor Jesus: tocar sem aprisionar; dar-se sabendo retirar-se; dizer sem ofender o mistério e cobrir o silêncio que envolve nós e eles; fazer-se alimento sem criar dependências; brilhar como luz que se extingue. E quanto poderemos recolher deste modo de proceder de Jesus ressuscitado que abre os olhos dos seus discípulos ao reconhecimento da sua presença exatamente no momento em deixam de o ver. A ausência acena a uma outra forma de presença: é preciso que o Senhor vá para que desça o seu Espírito. Não é esse o tipo de relação que vivemos em cada eucaristia, comungando daquele pão que não parece pão que é corpo que não se vê?

É, pois, este encontro a etapas sucessivas e enquanto se caminha que, pela palavra e pelo gesto, vai do isolamento à eucaristia, do anonimato ao reconhecimento, da perturbação paralisante à consolação operativa, que proponho como ambiente inspirador para esta minha reflexão, quase como um prelúdio musical ou uma sugestão pictórica.

Padre José Frazão, sj

sábado, 29 de abril de 2017

No último entardecer...


Nas paredes de uma igreja de Emaús, à guarda dos Padres Franciscanos da Custódia da Terra Santa, que recorda os acontecimentos narrados no sublime episódio de Lc 24, pode ler-se em várias línguas um belo e significativo poema:

Todos os dias
Te encontramos
no caminho
Mas muitos reconhecer-Te-ão
apenas
quando
repartires connosco
o Teu pão.
Quem sabe?
Talvez
no último entardecer.

D. António Couto, Bispo de Lamego

Extrato da mensagem publicada no blogue “Mesa de palavras”: https://mesadepalavras.wordpress.com/…/fica-connosco-senho…/

sábado, 22 de abril de 2017

A Revolução Pascal

se Deus ReSuscitou Jesus, então...
... temos uma Boa Notícia para Anunciar e Celebrar!




"Se tudo isto é verdade, então, não pode ficar tudo igual! Nem eu posso ficar igual!!! Se isto tudo é mesmo verdade, isto vale-nos a vida! Temos até um motivo para a dar se for preciso, porque aquilo que vale para viver, também vale para morrer. Quem mais ama a vida é quem menos teme a morte!

A Missão acontece como difusão, irradiação. Anunciar o Evangelho é uma acção de contágio. Os discípulos não se tornaram uns “místicos” da ressurreição mas TESTEMUNHAS da ressurreição: não é um “quentinho na alma”, é uma Notícia, um jackpot! É uma explosão dos sentidos e um sobressalto de alegria que atravessa toda a Criação, uma irradiação a todas as nações. Foi isto mesmo que aconteceu a partir daquela dúzia e tal de homens e mulheres que viram as suas vidas viradas do avesso naqueles dias da revolução pascal…

Os discípulos não voltaram para as suas terras diferentes, depois de terem feito a experiência pascal: começaram uma aventura nova, agora é que começou tudo mesmo de novo, porque o Espírito de Deus que tinha actuado em Jesus começou a actuar neles com poder e novidade. Os discípulos não ficaram simplesmente diferentes, mas começaram a fazer tudo diferente: assumiram a ousadia de anunciar a acção justificadora e reparadora de Deus em Jesus, depois do que os chefes lhe tinham feito. E anunciavam estas coisas nas barbas dos chefes mesmo! Libertos do medo e curados da culpa… porque o perdão é um grande dom pascal. Quando testemunham a experiência de reencontro com o Senhor ReSuscitado, nunca nos contam que ele os tenha feito sentir cobranças ou ralhetes pela infidelidade daquelas horas da prisão , tortura e execução… Em vez disso, vinha “em missão de paz”: “A paz esteja convosco”, era a saudação lembrada.

Anunciavam com desassombro e argumentavam com lucidez e uma criatividade espantosa: e, depois, não tinham mais provas para tudo o que anunciavam do que dar a vida por isso.

Este anúncio era mastigado e saboreado em pequenas comunidades. E estes verbos não são neutros. É que a MESA tornou-se o grande Sinal e ponto-de-encontro destes primeiros, que se juntavam à volta da Memória da Última Ceia que tinham comido com ele. A Ceia do Senhor era o sinal de um Mundo Novo reunido à volta do Dom de Deus, reconciliado e em paz. À Mesa Celebravam Jesus, não como lembrança mas como Vivente. Celebravam-no Presente! Anunciavam e celebravam que Jesus é SENHOR, e os outros não.

A Vinda do Senhor é a Esperança de que todas as coisas estão em Páscoa para Deus, em passagem para a Vida sem confins. E Jesus é o nosso Passador, Cristo “Nossa Páscoa”, como lhe chamou o Apóstolo Paulo. Se Deus ReSuscitou Jesus, então temos uma Notícia a correr-nos nas veias que é maior que tudo, uma Fé que leva à Esperança e se concretiza no Amor. Até que Deus, que já é tudo em Cristo, seja tudo em todos!"

Pe. Rui Santiago Cssr

domingo, 16 de abril de 2017

Ressuscitou o Senhor Jesus



CRISTO RESSUSCITOU.
ALELUIA!

JESUS Está Vivo! É com este anúncio, que começa a Páscoa do Senhor.
É assim com esta notícia que estas mulheres ouviram na manhã de Páscoa, que começa a Igreja, que começa a nossa fé.
A nossa fé em Jesus começa neste Rumor: AQUELE QUE VIMOS MORTO ESTÁ VIVO!
Aquele que há uns dias vimos suspenso na cruz e pusemos no túmulo… ESTÁ VIVO!

A Comunidade dos Padres Jesuítas deseja a todos uma Santa e Feliz Páscoa!


sábado, 15 de abril de 2017

SÁBADO SANTO

 Arte Sierge Koder 
"Quatro linhas sobre a cruz
A primeira linha abre o silêncio como os braços de Cristo na Cruz
A segunda linha abraça-te até que a voz que te
fala respire no interior da tua escuta
A terceira linha é a sombra do cajado que conduz,
o fio de água para que nunca esqueças a única Fonte
A quarta linha é o próprio rastro Daquele que se apaga
entre os quatro pontos cardeais da luz."
Daniel Faria


"ESTE DIA É ÚNICO NO ANO. As igrejas silenciosas e “despidas” convidam à reflexão e oração. Por outro lado, preocupadas com o aspeto exterior das festas pascais, muitas pessoas vivem-no com uma agitação enorme. De que lado me coloco? Sabendo que Jesus morreu por Amor, fico na expectativa. E espero com ansiedade celebrar a sua Ressurreição."
(Uma proposta do Apostolado da Oração- Rede Mundial de Oração do Papa)


Sábado Santo


«O sábado santo não é apenas um dia imenso: é um dia que nos imensa. Aparentemente, representa uma espécie de intervalo entre as palavras finais de Jesus, pronunciadas na sexta-feira santa, “tudo está consumado”, e a insurreição da vida que, na manhã da Páscoa, ele mesmo protagoniza. […] O silêncio do sábado santo é o nosso silêncio que Jesus abraça. O silêncio dos impasses, das travessias, dos sofrimentos, das íntimas transformações. Jesus abraça o silêncio desta sôfrega indefinição que somos entre já e ainda não.»

Pe. José Tolentino Mendonça

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Sexta-feira da Paixão


Era uma vez o Amor...

«Salvou os outros e não conseguiu salvar-Se a Si mesmo», comentava-se junto Daquele crucificado, sem perceber nada da sua história.


Exatamente porque Ele se dispõe a amar-nos, Ele não pode salvar-se a si mesmo. Porque o que é próprio do amor é esse deixar de pensar em si. É esse abandono, é essa pobreza radical, é essa entrega, em que o outro, o outro, é colocado no centro. Nós estamos no centro do gesto de Jesus. Da sua história de amor, da sua entrega.

Na verdade, a história mais simples do mundo, mas por vezes complicamos tanto a simplicidade do mundo! Comprometemos a transparência da vida com o nosso excesso de razões! No entanto, aquela história, a de Jesus, conta-se assim: «Era uma vez o Amor...».

O amor, essa entrega de nós para lá do cálculo e da retenção, a ponto de não conseguirmos viver para nós próprios.  

O amor, essa descoberta de que ou nos salvamos com os outros (porque aceitamos o risco de viver para os outros) ou gastamos inutilmente o nosso tesouro.

O que se comentava junto da cruz, naquele dia, não era um insulto, mas o maior dos elogios feitos a Jesus. Compreender isso é, de alguma maneira, acolher o sentido verdadeiro da Páscoa.»


Pe. José Tolentino Mendonça
(excertos de textos e homilias)



quinta-feira, 13 de abril de 2017

5ª feira Santa - Lava pés

Lava Pés Giotto

«Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.» [Jo 13, 1-15]

Tríduo Pascal


domingo, 9 de abril de 2017

DOMINGO DE RAMOS

A ENTRADA DE JESUS EM JERUSALÉM



Na entrada jubilosa de Jesus em Jerusalém, eu, como tantos outros, misturado na multidão dos simples peregrinos que, tendo ouvido falar da ressurreição de Lázaro e da chegada de Jesus, vou ao Seu encontro e acompanho-O, contemplando-O.
O Senhor entra na sua cidade de Jerusalém, vem montado num jumentinho, de acordo com a profecia. Um animal que nada tem a ver com uma montada real e o jumentinho nem sequer lhe pertence, porque o deve restituir Estendem-se as capas e ramos de árvores no caminho, a multidão canta «Hossana» saudando e gritando: «Bendito o que vem em nome do senhor!». 
Medito, meditemos para tirarmos proveito!.. 

Misturo-me também eu com esta multidão de pessoas que estendem os seus vestidos e ornamentam com palmas o percurso do Rei de Israel que eles aclamam, com grande escândalo de todos os fariseus, os de então e os de hoje. Aclamo-O, a Ele que vem tomar posse dum Reino que não é deste mundo, mas que está nele incorporado.

Mateus diz-nos que Jesus procede assim para cumprir a Escritura, Isaías anuncia que o rei entra em Jerusalém, não para governar, mas para servir. Contudo, neste triunfo, a multidão que o aclama está ofuscada, longe de compreender a significação plena. Não se trata de aclamar um rei que subjuga a vida e a amarra para servir o poder, mas um rei que dá a vida e não sacrifica vidas como fazem os reis deste mundo. 

Caminho e bato palmas com o entusiasmo dos discípulos, sem saber que não se trata de um triunfo através do poder, do ter e do aparecer (a tentação do Deserto) mas sim de um triunfo do serviço a Deus e aos homens?

À frente do cortejo gritam as crianças, atrás e um pouco à distância, aqueles que não comungam ainda a minha fé, os piedosos pagãos, os tímidos, mas que se aproximam de Jesus e Jesus vê neles as primícias da próxima glorificação. A Sua morte, como o grão lançado à terra, produzirá o seu fruto, dirá Jesus aos que o quiseram ver: “Quando for levantado da terra atrairei a Mim todos os homens” sem excluir ninguém, nem a um desses mais pequeninos. 

A própria natureza geme com a aproximação da sua “Hora”, e a alegria das flores de Páscoa e já são sinal da terra fecunda. A “Hora” de Jesus diz-nos que não estaremos nunca sós. Na Cruz, resplandece a fé a esperança e a caridade. A , porque Jesus, apesar do Seu abandono, aparente, se confia ao Pai: “Pai, nas tuas mãos, entrego o meu espírito”. A esperança, porque uma vida nova se espera além da morte. O amor (a caridade), porque não há maior amor do que dar a vida. 

Quando sepultaram Jesus, salta à vista que Jesus é depositado num sepulcro novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. Mostra-se assim que Jesus é de facto o Rei Messiânico esperado: o Rei é o primeiro em tudo. E continuamos ver o olhar atento das mulheres e os perfumes que preparam e que abrem o nosso olhar para a Ressurreição, onde culmina a Hora de Jesus. 

E assim se abrem para todos nós as portas da vida. 

A nossa vida cristã é também uma entrada na Nova Jerusalém, uma introdução no universo chamado a tornar-se uma aprazível Cidade de Deus, um Novo Céu e uma Nova Terra. 
Os hossanas da multidão que aclama sejam também os meus hossanas, nos dias bons e nos menos bons! Na Cruz resplandece o amor. É o que faz Cristo, dando a vida àqueles que Lha queriam tirar. 
Todos somos convidados a percorrer e a reviver as últimas decisivas vinte e quatro horas de Jesus. 

P. José Augusto Alves de Sousa, sj 






Quero gritar-Te Senhor, a minha alegria.
Tu conheces os meus desejos mais sinceros e profundos.
E quiseste entrar na minha cidade.
Vieste à minha vida e trouxeste o dom de Deus.
Para Ti, o meu aplauso, o meu louvor, a minha adoração

quinta-feira, 6 de abril de 2017

QUARESMA 2017 - DOMINGO DE RAMOS


Para irmos rezando e saboreando, enquanto o Domingo de Ramos não chega...e, assim, podermos preparar-nos para um encontro mais íntimo e fecundo com a Palavra do Senhor...

Quem abraça a cruz, tem a força da ressurreição



Celebramos esta semana a Paixão de Jesus!

A narração da morte de Jesus na cruz, que é proclamada no Domingo de Ramos, é a leitura mais bela e real de todo o ano. 

A cruz é o abismo onde Deus ama. Um Deus que me lavou os pés, e não lhe chegou; que deu o seu corpo a comer, e não lhe foi suficiente. Olho para ele, nu e desonrado, e tenho de desviar o olhar. Depois volto novamente a cabeça e olho para a cruz, e vejo braços que me gritam: amo-te; ou talvez me sussurre: amo-te.

P. Ermes Ronchi (excertos de textos)

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Quaresma V Domingo


A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO


«O Evangelho deste domingo de Quaresma narra a ressurreição de Lázaro. É o ápice dos “sinais” feitos por Jesus: é um gesto muito grande, claramente divino para ser tolerado pelos sumos-sacerdotes, os quais, sabendo do fato, tomaram a decisão de matar Jesus.
Lázaro já estava morto há três dias, quando chega Jesus; e às irmãs Marta e Maria Ele disse palavras que ficaram gravadas para sempre na memória da comunidade cristã: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais” (Jo 11, 25). Diante do túmulo lacrado do amigo Lázaro, Jesus “exclamou em voz forte: Lázaro, vem para fora”. O morto saiu, atado de mãos e pés com os lençóis mortuários e o rosto coberto com um pano. Este grito peremptório é dirigido a cada homem, porque todos estamos marcados pela morte, todos nós; é a voz Daquele que é o Senhor da vida e quer que todos “a tenham em abundância” (Jo 10, 10). Cristo não se conforma com os túmulos que construímos para nós com as nossas escolhas do mal e da morte, com os nossos erros, com os nossos pecados. Ele convida-nos, quase nos ordena, a sair do túmulo em que os nossos pecados nos afundaram. Chama-nos com insistência para sairmos da escuridão da prisão em que nos fechamos. “Vem para fora!”, diz-nos, “Vem para fora!”. 
É um belo convite à verdadeira liberdade, a deixar-nos agarrar por estas palavras de Jesus que hoje repete a cada um de nós. Um convite a deixar-nos livrar das “ataduras”, do orgulho. Porque o orgulho faz-nos escravos, escravos de nós mesmos, escravos de tantos ídolos, de tantas coisas. A nossa ressurreição começa aqui: quando decidimos obedecer a esta ordem de Jesus saindo para a luz, para a vida; quando da nossa face caem as máscaras e nós reencontramos a coragem da nossa face original, criada à imagem e semelhança de Deus.
O gesto de Jesus que ressuscita Lázaro mostra até onde pode chegar a força da Graça de Deus e também até onde pode chegar a nossa conversão, a nossa mudança. Mas ouçam bem: não há limite algum para a misericórdia divina oferecida a todos! Lembrem-se bem desta frase. E possamos dizê-la todos juntos: “Não há limite algum para a misericórdia de Deus oferecida a todos”. O Senhor está sempre pronto para levantar a pedra do túmulo que nos separa Dele, a luz dos vivos.»

Papa Francisco - Praça São Pedro – Vaticano
ANGELUS em V domingo da quaresma





quarta-feira, 29 de março de 2017

Quaresma V Domingo

Para irmos rezando e saboreando, enquanto o Domingo não chega...e, assim, podermos preparar-nos para um encontro mais íntimo e fecundo com a Palavra do Senhor...

«Então Jesus começou a chorar. 
Diziam os judeus: «Vede como era seu amigo!» (Jo 11:35-36) 


O Senhor dos Amigos

«Aquele a quem chamamos Filho de Deus e Redentor passou no meio de nós como um homem versado em Amizade. Sabia de Amizade e de presença, tinha refinado dentro de si a mais pura ternura e atenção. 

Olhamos para Jesus de maneiras tão míticas e solitárias que nos esquecemos vezes demais que este homem tinha amigos e amigas de verdade. 

Houve verdadeiramente homens e mulheres que disseram do Profeta da Galileia: o meu Amigo Jesus. E se o dissermos hoje, ainda vamos ver o sabor que isto tem. 

Quando Jesus foi ter com Marta e com Maria porque o seu Amigo Lázaro tinha morrido, todos o viram chorar e se espantavam: “Vede como ele era mesmo seu amigo!”… Jesus não entra em cena como um poderoso que vem para fazer milagres. Jesus entra em cena como um Amigo que vem frágil, triste, que sente a ausência de quem ama. E é a partir daí que atua… Não a partir do poder mas das lágrimas! Jesus não nos salva porque “pode fazê-lo”, já que é Filho de Deus; Jesus salva-nos porque “não pode não o fazer”, já que é nosso Amigo de verdade, chora-nos a distância com as lágrimas da saudade de um Irmão. 

As ações de Jesus em favor das pessoas não são um ribombar divino no meio de nós, mas os gestos da sua humaníssima Sensibilidade. O Divino e o Humano falam a mesma língua e exprimem-se na mesma gramática gestual: o Amor que escreve Histórias de Amizade, gestos de Compaixão e uma Sensibilidade Salvadora.» 

P. Rui Santiago Cssr 
Blogue "Derrotar Montanhas"(adaptado)



sábado, 25 de março de 2017


Informações úteis
Por ser o último Domingo do mês, faremos um peditório especial à porta da Igreja para a Conferência de S. Vicente de Paulo, assim estaremos a ajudar os pobres da nossa Paróquia. Desde já o nosso muito obrigado pela vossa generosidade.

Silêncio com Jesus Cristo – No dia 27, segunda-feira às 21:00h. Um momento de oração e de partilha, onde cada um de nós se encontra consigo mesmo e com Jesus. Ao estilo de Taizé, de catequistas para catequistas e para todas as idades, crianças, jovens, pais e avós

Conferências Quaresmais – Na sala de conferências junto à Biblioteca da UBI, teremos no dia 29, às 21.00h, quarta-feira, a terceira conferência quaresmal, com o tema: “No centenário das Aparições de Fátima: a atualidade da sua mensagem”. Será orador o Senhor D. Manuel Felício, Bispo da Guarda. Todos somos convidados a participar.

Sexta-feira, dia 31 de março, faremos a Via-Sacra, às 15.00 horas na Igreja de S. Tiago.

O ofertório do passado Domingo, nas 4 Missas celebradas na nossa Paróquia, rendeu 431,62 euros que será entregue à Cáritas Diocesana da Guarda. O nosso muito obrigado.

Este ano a nossa renúncia quaresmal destina-se às comunidades cristãs do Iraque.

Quaresma IV domingo


«Eu fui, lavei-me e comecei a ver» (Jo 9,1-41)
















Chamados à luz da alegria

Uma carícia de luz na escuridão. Jesus toca e ilumina os olhos de um mendigo que nos representa a todos. 

Uma carícia de luz que se torna carícia de liberdade. Quem não vê tem de apoiar-se noutros, em paredes, num bastão, nos pais, nos fariseus. Quem vê caminha seguro, sem depender dos outros, livre. Como o cego do Evangelho, que curado se torna forte, deixa de ter medo, enfrenta os sábios, centra-se nos factos concretos e não nas palavras. Alimenta-se da luz e ousa. Livre. 

Uma carícia de liberdade que se torna carícia de alegria. Por ver é apreciar os rostos, a beleza, as cores. A luz é um golpe de alegria que pousa sobre as coisas. Assim a fé, que é visão nova das coisas, cria um olhar luminoso que leva a luz onde pousa: «Vós sois luz no Senhor» (Efésios 5, 8). 

Os fariseus, aqueles que conhecem todas as regras, não experimentam alegria pelos olhos novos do cego porque lhes interessa a lei, e não a felicidade do homem: milagres ao sábado, nunca! Não compreendem que Deus prefere a felicidade dos seus filhos à fidelidade à lei, que fala a linguagem da alegria e por isso continua a seduzir. Funcionários das regras e analfabetos do coração. 

Colocam Deus contra o homem, e é o pior que pode acontecer à nossa fé. Dizem: «Os pobres continuam infelizmente pobres, os mendigos continuam a mendigar, os cegos que fiquem satisfeitos, desde que se observe o sábado. Glória de Deus é o preceito observado». Mas na verdade, não: glória de Deus é um homem que torna a ver. E o seu olhar luminoso presta louvor a Deus mais do que todos os sábados! 

E é uma dura lição: os fariseus mostram que se pode ser crente sem se ser bom; que se pode ser homem de Igreja e não ter piedade; é possível “trabalhar” em nome de Deus e ir contra Deus. Administradores do sagrado e analfabetos do coração. 

Nas palavras dos fariseus, a palavra que ocorre com mais frequência é «pecado»: «Sabemos que és pecador; nasceste no pecado; se alguém é pecador, não pode fazer estas coisas»; até os discípulos perguntaram: «Quem pecou? Ele ou os seus pais?». O pecado é elevado a teoria que explica o mundo, que interpreta o homem e Deus. 

A resposta de Jesus é outra: «Nem ele pecou nem os seus pais». Distancia-se de imediato, com a primeira palavra, desta perspetiva, para declarar como ela causa a cegueira sobre Deus e sobre os homens. Falará unicamente do pecado para dizer que está perdoado. 

O pecado não explica Deus. Deus é compaixão, futuro, aproximação ardente, mão viva que toca o coração e o abre, amor que faz nascer e repartir a vida, que traz luz. E o teu coração te dirá que foste feito para a luz. 


P. Enzo Bianchi (IV Dom. Quaresma 2014)
Secretariado Nacional Pastoral da Cultura

domingo, 19 de março de 2017

Quaresma III domingo

 «Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: 
‘Dá-Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva». 


Na sua viagem da Judeia para a Galileia, Jesus atravessa a Samaria.
Cansado da viagem parou na cidade de Sicar e não hesita em pedir de beber a uma mulher samaritana. Mas a sua sede estende-se muito para além da água física: é também sede de encontro e desejo de abrir diálogo com aquela mulher, oferecendo-lhe assim a possibilidade de um caminho de conversão interior. Jesus é paciente, respeita a pessoa que tem à sua frente, revela-Se-lhe progressivamente. O seu exemplo encoraja-a a procurar um confronto sereno com o outro. As pessoas, para se compreenderem e crescerem na caridade e na verdade, precisam de se deter, acolher e escutar.
A mulher de Sicar interpela Jesus sobre o verdadeiro lugar da adoração a Deus. Jesus não toma partido em favor do monte nem do templo, mas vai ao essencial derrubando todo o muro de separação. Remete para a verdade da adoração: «Deus é espírito; por isso, os que O adoram devem adorá-Lo em espírito e verdade» (Jo 4, 24).
Pouco a pouco, a mulher samaritana compreende que Aquele que lhe pediu de beber é capaz de a saciar. Jesus apresenta-Se-lhe como a fonte donde jorra a água viva que mata a sua sede para sempre (cf. Jo 4, 13-14).
O encontro com Jesus transforma a samaritana. Tendo recebido um dom maior e mais importante do que a água do poço, a mulher deixa lá o seu cântaro  (cf. Jo 4, 28)  e corre a contar a todos que encontrou o Messias (cf. Jo 4, 29). Este encontro restitui-lhe o significado e a alegria de viver, e a mulher sente o desejo de comunicá-lo. Hoje, há uma multidão de homens e mulheres, cansados e sedentos, que nos pedem a nós cristãos, para lhes dar de beber.
É um pedido a que não nos podemos subtrair. O compromisso comum de anunciar o Evangelho permite superar qualquer forma de proselitismo e a tentação da competição. Estamos todos ao serviço do único e mesmo Evangelho!

Papa Francisco - HOMILIA NA PRAÇA DE S. PEDRO (III Dom. Quaresma 2013)