sábado, 29 de abril de 2017

No último entardecer...


Nas paredes de uma igreja de Emaús, à guarda dos Padres Franciscanos da Custódia da Terra Santa, que recorda os acontecimentos narrados no sublime episódio de Lc 24, pode ler-se em várias línguas um belo e significativo poema:

Todos os dias
Te encontramos
no caminho
Mas muitos reconhecer-Te-ão
apenas
quando
repartires connosco
o Teu pão.
Quem sabe?
Talvez
no último entardecer.

D. António Couto, Bispo de Lamego

Extrato da mensagem publicada no blogue “Mesa de palavras”: https://mesadepalavras.wordpress.com/…/fica-connosco-senho…/

sábado, 22 de abril de 2017

A Revolução Pascal

se Deus ReSuscitou Jesus, então...
... temos uma Boa Notícia para Anunciar e Celebrar!




"Se tudo isto é verdade, então, não pode ficar tudo igual! Nem eu posso ficar igual!!! Se isto tudo é mesmo verdade, isto vale-nos a vida! Temos até um motivo para a dar se for preciso, porque aquilo que vale para viver, também vale para morrer. Quem mais ama a vida é quem menos teme a morte!

A Missão acontece como difusão, irradiação. Anunciar o Evangelho é uma acção de contágio. Os discípulos não se tornaram uns “místicos” da ressurreição mas TESTEMUNHAS da ressurreição: não é um “quentinho na alma”, é uma Notícia, um jackpot! É uma explosão dos sentidos e um sobressalto de alegria que atravessa toda a Criação, uma irradiação a todas as nações. Foi isto mesmo que aconteceu a partir daquela dúzia e tal de homens e mulheres que viram as suas vidas viradas do avesso naqueles dias da revolução pascal…

Os discípulos não voltaram para as suas terras diferentes, depois de terem feito a experiência pascal: começaram uma aventura nova, agora é que começou tudo mesmo de novo, porque o Espírito de Deus que tinha actuado em Jesus começou a actuar neles com poder e novidade. Os discípulos não ficaram simplesmente diferentes, mas começaram a fazer tudo diferente: assumiram a ousadia de anunciar a acção justificadora e reparadora de Deus em Jesus, depois do que os chefes lhe tinham feito. E anunciavam estas coisas nas barbas dos chefes mesmo! Libertos do medo e curados da culpa… porque o perdão é um grande dom pascal. Quando testemunham a experiência de reencontro com o Senhor ReSuscitado, nunca nos contam que ele os tenha feito sentir cobranças ou ralhetes pela infidelidade daquelas horas da prisão , tortura e execução… Em vez disso, vinha “em missão de paz”: “A paz esteja convosco”, era a saudação lembrada.

Anunciavam com desassombro e argumentavam com lucidez e uma criatividade espantosa: e, depois, não tinham mais provas para tudo o que anunciavam do que dar a vida por isso.

Este anúncio era mastigado e saboreado em pequenas comunidades. E estes verbos não são neutros. É que a MESA tornou-se o grande Sinal e ponto-de-encontro destes primeiros, que se juntavam à volta da Memória da Última Ceia que tinham comido com ele. A Ceia do Senhor era o sinal de um Mundo Novo reunido à volta do Dom de Deus, reconciliado e em paz. À Mesa Celebravam Jesus, não como lembrança mas como Vivente. Celebravam-no Presente! Anunciavam e celebravam que Jesus é SENHOR, e os outros não.

A Vinda do Senhor é a Esperança de que todas as coisas estão em Páscoa para Deus, em passagem para a Vida sem confins. E Jesus é o nosso Passador, Cristo “Nossa Páscoa”, como lhe chamou o Apóstolo Paulo. Se Deus ReSuscitou Jesus, então temos uma Notícia a correr-nos nas veias que é maior que tudo, uma Fé que leva à Esperança e se concretiza no Amor. Até que Deus, que já é tudo em Cristo, seja tudo em todos!"

Pe. Rui Santiago Cssr

domingo, 16 de abril de 2017

Ressuscitou o Senhor Jesus



CRISTO RESSUSCITOU.
ALELUIA!

JESUS Está Vivo! É com este anúncio, que começa a Páscoa do Senhor.
É assim com esta notícia que estas mulheres ouviram na manhã de Páscoa, que começa a Igreja, que começa a nossa fé.
A nossa fé em Jesus começa neste Rumor: AQUELE QUE VIMOS MORTO ESTÁ VIVO!
Aquele que há uns dias vimos suspenso na cruz e pusemos no túmulo… ESTÁ VIVO!

A Comunidade dos Padres Jesuítas deseja a todos uma Santa e Feliz Páscoa!


sábado, 15 de abril de 2017

SÁBADO SANTO

 Arte Sierge Koder 
"Quatro linhas sobre a cruz
A primeira linha abre o silêncio como os braços de Cristo na Cruz
A segunda linha abraça-te até que a voz que te
fala respire no interior da tua escuta
A terceira linha é a sombra do cajado que conduz,
o fio de água para que nunca esqueças a única Fonte
A quarta linha é o próprio rastro Daquele que se apaga
entre os quatro pontos cardeais da luz."
Daniel Faria


"ESTE DIA É ÚNICO NO ANO. As igrejas silenciosas e “despidas” convidam à reflexão e oração. Por outro lado, preocupadas com o aspeto exterior das festas pascais, muitas pessoas vivem-no com uma agitação enorme. De que lado me coloco? Sabendo que Jesus morreu por Amor, fico na expectativa. E espero com ansiedade celebrar a sua Ressurreição."
(Uma proposta do Apostolado da Oração- Rede Mundial de Oração do Papa)


Sábado Santo


«O sábado santo não é apenas um dia imenso: é um dia que nos imensa. Aparentemente, representa uma espécie de intervalo entre as palavras finais de Jesus, pronunciadas na sexta-feira santa, “tudo está consumado”, e a insurreição da vida que, na manhã da Páscoa, ele mesmo protagoniza. […] O silêncio do sábado santo é o nosso silêncio que Jesus abraça. O silêncio dos impasses, das travessias, dos sofrimentos, das íntimas transformações. Jesus abraça o silêncio desta sôfrega indefinição que somos entre já e ainda não.»

Pe. José Tolentino Mendonça

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Sexta-feira da Paixão


Era uma vez o Amor...

«Salvou os outros e não conseguiu salvar-Se a Si mesmo», comentava-se junto Daquele crucificado, sem perceber nada da sua história.


Exatamente porque Ele se dispõe a amar-nos, Ele não pode salvar-se a si mesmo. Porque o que é próprio do amor é esse deixar de pensar em si. É esse abandono, é essa pobreza radical, é essa entrega, em que o outro, o outro, é colocado no centro. Nós estamos no centro do gesto de Jesus. Da sua história de amor, da sua entrega.

Na verdade, a história mais simples do mundo, mas por vezes complicamos tanto a simplicidade do mundo! Comprometemos a transparência da vida com o nosso excesso de razões! No entanto, aquela história, a de Jesus, conta-se assim: «Era uma vez o Amor...».

O amor, essa entrega de nós para lá do cálculo e da retenção, a ponto de não conseguirmos viver para nós próprios.  

O amor, essa descoberta de que ou nos salvamos com os outros (porque aceitamos o risco de viver para os outros) ou gastamos inutilmente o nosso tesouro.

O que se comentava junto da cruz, naquele dia, não era um insulto, mas o maior dos elogios feitos a Jesus. Compreender isso é, de alguma maneira, acolher o sentido verdadeiro da Páscoa.»


Pe. José Tolentino Mendonça
(excertos de textos e homilias)



quinta-feira, 13 de abril de 2017

5ª feira Santa - Lava pés

Lava Pés Giotto

«Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.» [Jo 13, 1-15]

Tríduo Pascal


domingo, 9 de abril de 2017

DOMINGO DE RAMOS

A ENTRADA DE JESUS EM JERUSALÉM



Na entrada jubilosa de Jesus em Jerusalém, eu, como tantos outros, misturado na multidão dos simples peregrinos que, tendo ouvido falar da ressurreição de Lázaro e da chegada de Jesus, vou ao Seu encontro e acompanho-O, contemplando-O.
O Senhor entra na sua cidade de Jerusalém, vem montado num jumentinho, de acordo com a profecia. Um animal que nada tem a ver com uma montada real e o jumentinho nem sequer lhe pertence, porque o deve restituir Estendem-se as capas e ramos de árvores no caminho, a multidão canta «Hossana» saudando e gritando: «Bendito o que vem em nome do senhor!». 
Medito, meditemos para tirarmos proveito!.. 

Misturo-me também eu com esta multidão de pessoas que estendem os seus vestidos e ornamentam com palmas o percurso do Rei de Israel que eles aclamam, com grande escândalo de todos os fariseus, os de então e os de hoje. Aclamo-O, a Ele que vem tomar posse dum Reino que não é deste mundo, mas que está nele incorporado.

Mateus diz-nos que Jesus procede assim para cumprir a Escritura, Isaías anuncia que o rei entra em Jerusalém, não para governar, mas para servir. Contudo, neste triunfo, a multidão que o aclama está ofuscada, longe de compreender a significação plena. Não se trata de aclamar um rei que subjuga a vida e a amarra para servir o poder, mas um rei que dá a vida e não sacrifica vidas como fazem os reis deste mundo. 

Caminho e bato palmas com o entusiasmo dos discípulos, sem saber que não se trata de um triunfo através do poder, do ter e do aparecer (a tentação do Deserto) mas sim de um triunfo do serviço a Deus e aos homens?

À frente do cortejo gritam as crianças, atrás e um pouco à distância, aqueles que não comungam ainda a minha fé, os piedosos pagãos, os tímidos, mas que se aproximam de Jesus e Jesus vê neles as primícias da próxima glorificação. A Sua morte, como o grão lançado à terra, produzirá o seu fruto, dirá Jesus aos que o quiseram ver: “Quando for levantado da terra atrairei a Mim todos os homens” sem excluir ninguém, nem a um desses mais pequeninos. 

A própria natureza geme com a aproximação da sua “Hora”, e a alegria das flores de Páscoa e já são sinal da terra fecunda. A “Hora” de Jesus diz-nos que não estaremos nunca sós. Na Cruz, resplandece a fé a esperança e a caridade. A , porque Jesus, apesar do Seu abandono, aparente, se confia ao Pai: “Pai, nas tuas mãos, entrego o meu espírito”. A esperança, porque uma vida nova se espera além da morte. O amor (a caridade), porque não há maior amor do que dar a vida. 

Quando sepultaram Jesus, salta à vista que Jesus é depositado num sepulcro novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. Mostra-se assim que Jesus é de facto o Rei Messiânico esperado: o Rei é o primeiro em tudo. E continuamos ver o olhar atento das mulheres e os perfumes que preparam e que abrem o nosso olhar para a Ressurreição, onde culmina a Hora de Jesus. 

E assim se abrem para todos nós as portas da vida. 

A nossa vida cristã é também uma entrada na Nova Jerusalém, uma introdução no universo chamado a tornar-se uma aprazível Cidade de Deus, um Novo Céu e uma Nova Terra. 
Os hossanas da multidão que aclama sejam também os meus hossanas, nos dias bons e nos menos bons! Na Cruz resplandece o amor. É o que faz Cristo, dando a vida àqueles que Lha queriam tirar. 
Todos somos convidados a percorrer e a reviver as últimas decisivas vinte e quatro horas de Jesus. 

P. José Augusto Alves de Sousa, sj 






Quero gritar-Te Senhor, a minha alegria.
Tu conheces os meus desejos mais sinceros e profundos.
E quiseste entrar na minha cidade.
Vieste à minha vida e trouxeste o dom de Deus.
Para Ti, o meu aplauso, o meu louvor, a minha adoração

quinta-feira, 6 de abril de 2017

QUARESMA 2017 - DOMINGO DE RAMOS


Para irmos rezando e saboreando, enquanto o Domingo de Ramos não chega...e, assim, podermos preparar-nos para um encontro mais íntimo e fecundo com a Palavra do Senhor...

Quem abraça a cruz, tem a força da ressurreição



Celebramos esta semana a Paixão de Jesus!

A narração da morte de Jesus na cruz, que é proclamada no Domingo de Ramos, é a leitura mais bela e real de todo o ano. 

A cruz é o abismo onde Deus ama. Um Deus que me lavou os pés, e não lhe chegou; que deu o seu corpo a comer, e não lhe foi suficiente. Olho para ele, nu e desonrado, e tenho de desviar o olhar. Depois volto novamente a cabeça e olho para a cruz, e vejo braços que me gritam: amo-te; ou talvez me sussurre: amo-te.

P. Ermes Ronchi (excertos de textos)