segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

"A Palavra é um dom. O outro é um dom"

Mensagem do Santo Padre Francisco para a Quaresma 2017

Amados irmãos e irmãs!

A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor. Jesus é o amigo fiel que nunca nos abandona, pois, mesmo quando pecamos, espera pacientemente pelo nosso regresso a Ele e, com esta espera, manifesta a sua vontade de perdão (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

A Quaresma é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui queria deter-me, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). Deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como temos de agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, incitando-nos a uma sincera conversão.

1. O outro é um dom

A parábola inicia com a apresentação dos dois personagens principais, mas quem aparece descrito de forma mais detalhada é o pobre: encontra-se numa condição desesperada e sem forças para se solevar, jaz à porta do rico na esperança de comer as migalhas que caem da mesa dele, tem o corpo coberto de chagas, que os cães vêm lamber (cf. vv. 20-21). Enfim, o quadro é sombrio, com o homem degradado e humilhado.

A cena revela-se ainda mais dramática, quando se considera que o pobre se chama Lázaro, um nome muito promissor pois significa, literalmente, «Deus ajuda». Não se trata duma pessoa anónima; antes, tem traços muito concretos e aparece como um indivíduo a quem podemos atribuir uma história pessoal. Enquanto Lázaro é como que invisível para o rico, a nossos olhos aparece como um ser conhecido e quase de família, torna-se um rosto; e, como tal, é um dom, uma riqueza inestimável, um ser querido, amado, recordado por Deus, apesar da sua condição concreta ser a duma escória humana (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).
Lázaro ensina-nos que o outro é um dom. A justa relação com as pessoas consiste em reconhecer, com gratidão, o seu valor. O próprio pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso, mas um apelo a converter-se e mudar de vida. O primeiro convite que nos faz esta parábola é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja ela o nosso vizinho ou o pobre desconhecido. A Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós encontra-o no próprio caminho. Cada vida que se cruza connosco é um dom e merece aceitação, respeito, amor. A Palavra de Deus ajuda-nos a abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil. Mas, para se poder fazer isto, é necessário tomar a sério também aquilo que o Evangelho nos revela a propósito do homem rico.

2. O pecado cega-nos

A parábola põe em evidência, sem piedade, as contradições em que vive o rico (cf. v. 19). Este personagem, ao contrário do pobre Lázaro, não tem um nome, é qualificado apenas como «rico». A sua opulência manifesta-se nas roupas, de um luxo exagerado, que usa. De facto, a púrpura era muito apreciada, mais do que a prata e o ouro, e por isso se reservava para os deuses (cf. Jr 10, 9) e os reis (cf. Jz 8, 26). O linho fino era um linho especial que ajudava a conferir à posição da pessoa um caráter quase sagrado. Assim, a riqueza deste homem é excessiva, inclusive porque exibida habitualmente: «Fazia todos os dias esplêndidos banquetes» (v. 19). Entrevê-se nele, dramaticamente, a corrupção do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: o amor ao dinheiro, a vaidade e a soberba (cf. Homilia na Santa Missa, 20 de setembro de 2013).

O apóstolo Paulo diz que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tm 6, 10). Esta é o motivo principal da corrupção e uma fonte de invejas, contendas e suspeitas. O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 55). Em vez de instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz.

Depois, a parábola mostra-nos que a ganância do rico fá-lo vaidoso. A sua personalidade vive de aparências, fazendo ver aos outros aquilo que se pode permitir. Mas a aparência serve de máscara para o seu vazio interior. A sua vida está prisioneira da exterioridade, da dimensão mais superficial e efémera da existência (cf. ibid., 62).

O degrau mais baixo desta deterioração moral é a soberba. O homem veste-se como se fosse um rei, simula a posição dum deus, esquecendo-se que é um simples mortal. Para o homem corrompido pelo amor das riquezas, nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não caiem sob a alçada do seu olhar. Assim o fruto do apego ao dinheiro é uma espécie de cegueira: o rico não vê o pobre esfomeado, chagado e prostrado na sua humilhação.

Olhando para esta figura, compreende-se por que motivo o Evangelho é tão claro ao condenar o amor ao dinheiro: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24).

3. A Palavra é um dom

O Evangelho do homem rico e do pobre Lázaro ajuda a prepararmo-nos bem para a Páscoa que se aproxima. A liturgia de Quarta-Feira de Cinzas convida-nos a viver uma experiência semelhante à que faz de forma tão dramática o rico. Quando impõe as cinzas sobre a cabeça, o sacerdote repete estas palavras: «Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás de voltar». De facto, tanto o rico como o pobre morrem, e a parte principal da parábola desenrola-se no Além. Dum momento para o outro, os dois personagens descobrem que nós «nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele» (1 Tm 6, 7).

Também o nosso olhar se abre para o Além, onde o rico tece um longo diálogo com Abraão, a quem trata por «pai» (Lc 16, 24.27), dando mostras de fazer parte do povo de Deus. Este detalhe torna ainda mais contraditória a sua vida, porque até agora nada se disse da sua relação com Deus. Com efeito, na sua vida, não havia lugar para Deus, sendo ele mesmo o seu único deus.

Só no meio dos tormentos do Além é que o rico reconhece Lázaro e queria que o pobre aliviasse os seus sofrimentos com um pouco de água. Os gestos solicitados a Lázaro são semelhantes aos que o rico poderia ter feito, mas nunca fez. Abraão, porém, explica-lhe: «Recebeste os teus bens na vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado» (v. 25). No Além, restabelece-se uma certa equidade, e os males da vida são contrabalançados pelo bem.

Mas a parábola continua, apresentando uma mensagem para todos os cristãos. De facto o rico, que ainda tem irmãos vivos, pede a Abraão que mande Lázaro avisá-los; mas Abraão respondeu: «Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam» (v. 29). E, à sucessiva objeção do rico, acrescenta: «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos» (v. 31).

Deste modo se patenteia o verdadeiro problema do rico: a raiz dos seus males é não dar ouvidos à Palavra de Deus; isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo. A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e orientar de novo a pessoa para Deus. Fechar o coração ao dom de Deus que fala, tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão.

Amados irmãos e irmãs, a Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos, encontrando Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo. O Senhor – que, nos quarenta dias passados no deserto, venceu as ciladas do Tentador – indica-nos o caminho a seguir. Que o Espírito Santo nos guie na realização dum verdadeiro caminho de conversão, para redescobrirmos o dom da Palavra de Deus, sermos purificados do pecado que nos cega e servirmos Cristo presente nos irmãos necessitados. Encorajo todos os fiéis a expressar esta renovação espiritual, inclusive participando nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais, em várias partes do mundo, promovem para fazer crescer a cultura do encontro na única família humana. Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa.

Vaticano, 18 de outubro de 2016

Festa do Evangelista São Lucas

FRANCISCO

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Encontro - Rezar com Santo Inácio


Calendário - mês de fevereiro


SÁBADO DIA 4
5.ºDomingo Comum
17:30 - Catequese
19:00 - Missa com a Catequese
Festa do acolhimento – 1º ano

DOMINGO DIA 5
5.ºDomingo Comum
Missas às 9:00 - S. João de Malta
11:30 e 19:00 - S. Tiago

SÁBADO DIA 11
6.ºDomingo Comum
  REZAR COM SANTO INÁCIO
17:30 - Catequese
19:00 - Missa com a Catequese

DOMINGO DIA 12
6.ºDomingo Comum
Missas às 9:00 - S. João de Malta
11:30 e 19:00 - S. Tiago

SÁBADO DIA 18
17:30 – Catequese
19:00 - Missa com a Catequese

DOMINGO DIA 19
7.ºDomingo Comum
Missas às 9:00 - S. João de Malta
11:30 e 19:00 - S. Tiago

SÁBADO DIA 25
FORMAÇÃO DE CATEQUISTAS

DOMINGO DIA 26
8.ºDomingo Comum
Missas às 9:00 - S. João de Malta
11:30 e 19:00 - S. Tiago



domingo, 13 de novembro de 2016

Ano Jubilar da Misericórdia - Encerramento

«É meu vivo desejo que o povo cristão reflicta, durante o Jubileu, sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual. Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina. A pregação de Jesus apresenta-nos estas obras de misericórdia, para podermos perceber se vivemos ou não como seus discípulos. Redescubramos as obras de misericórdia…» 
PAPA FRANCISCO, Bula Misericordiae Vultus, 15


Encerrámos hoje o Ano Jubilar da Misericórdia, onde todos experimentámos a graça e a misericórdia do Senhor. 
Nesta celebração eucarística quisemos, em comunidade, manifestar o nosso de louvor e a nossa ação de graças, pelos dons que Ele nos concedeu e ainda e rezar pelos seminários, para que não faltem pastores segundo o coração de Cristo, movidos pela misericórdia de Deus.
Fomos convidados a aprofundar cada vez mais o conhecimento das obras de misericórdia a fim de que  que o Ano da Misericórdia, não acabe hoje mas continue a ser para a Comunidade um desafio para a vida. 

Obras de Misericórdia

ESPIRITUAIS:
1º Dar bom conselho
2º Ensinar os ignorantes
3º Corrigir os que erram
4º Consolar os tristes
5º Perdoar os que nos ofenderam
6º Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo
7º Rezar pelos vivos e defuntos

CORPORAIS:
1º Dar de comer a quem tem fome
2º Dar de beber a quem tem sede
3º Vestir os nus
4º Dar pousada aos peregrinos
5º Assistir os enfermos
6º Visitar os presos
7º Enterrar os mortos

INFORMAÇÕES ÚTEIS
Na Sé Catedral da Guarda, o encerramento será na Eucaristia às 16.00 horas, presidida pelo Senhor Bispo.
No próximo sábado, dia 19, haverá a formação anual para os Ministro Extraordinários da Eucaristia. Será no Centro Cultural da Covilhã, com início às 10.00 horas e termina às 16.00 horas. 
Estão disponíveis as rifas para ajudar a nossa Paróquia. Quem desejar adquirir estas rifas dirija-se à Secretaria Paroquial ou à sacristia. Desde já muito obrigado. 


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Publicações de Jesuítas

     “NAMASTÉ – A luz de Deus em mim saúda a luz de Deus em ti.” padre Paulo Teia, sj


“Namasté” não é mais um livro, muito menos um livro qualquer. É o registo de uma paixão por Deus e pela fotografia vivida entre «os mais pobres dos pobres» por terras indianas. Em 2014, Paulo Teia, apaixonado pelo mundo e pela vida, partiu para Calcutá e de lá para Ahmedabad, Surat, Tamil Nadu, Kerala, Goa e Bombaim. Foi ao encontro de Dalits e Adivasi, os que vivem para lá de todas as periferias e que gritam em silêncio através de sorrisos sofridos e olhares resignados.
Paulo Teia captou estas pessoas sem invadir o seu mundo. Surpreendeu-as com a objetiva e retratou o essencial de cada uma delas: as expressões sem filtro e sem disfarce que evidenciam bem o que é viver num mundo verdadeiramente ao lado do mundo.
Biografia do autor: Paulo Teia nasceu a 31 de maio de 1969, em Lisboa. É o primeiro de quatro irmãos. Viveu em Almada até aos seis anos. Passou parte da adolescência e juventude em Aveiro e Vila Nova de Gaia. Aos 18 anos ingressou na Universidade de Coimbra e conheceu os padres jesuítas. Descobriu a sua vocação aos 20 anos. Prosseguiu a formação na Companhia de Jesus, estudando Filosofia na Universidade Católica de Braga. Lecionou, durante dois anos, no Colégio das Caldinhas, em Santo Tirso. Fez os estudos teológicos em Madrid e Paris. Foi ordenado padre em 2002 e assumiu uma paróquia na margem sul do Tejo, acompanhando as famílias e crianças dos bairros sociais do Pragal. Onze anos depois de chegar ao Pragal, pediu um ano sabático em Madrid, Camboja e Índia. Esta experiência fora de Portugal despertou-lhe o desejo de partir para as missões. Em 2015, foi enviado para Moçambique. Desenvolve atividade pastoral em Tete. A fotografia acompanhou-o ao longo da vida como linguagem e como forma de expressão e sentir.

(O Padre Paulo Teia, esteve por diversas vezes na nossa Comunidade em trabalho e dando Exercícios Espirituais, alegramo-nos com ele e por ele)


domingo, 6 de novembro de 2016

XXXII Domingo Comum

1. Há quem diga que o mês de novembro é o mês dos mortos! No dia 1, muitas pessoas passaram pelos cemitérios, para recordar os que partiram antes de nós. Nesse dia e no dia seguinte, muitos realizaram um gesto de carinho, com os seus familiares e amigos: acenderam uma vela, puseram uma flor, rezaram um pouco! Com esses gestos simples, os amigos dizem aos amigos: “Tu estás sempre vivo no meu coração”. “Eu não te esqueço”. “Tu não morres, porque te amo”! Na verdade, “amar alguém, é dizer-lhe «Tu não morrerás»”. Se passarmos pelo cemitério veremos lápides, com frases semelhantes a estas. E, qualquer um de nós, tenho a certeza, se pudesse, restituiria a vida, a quem tanto amou e já partiu. Mas todos sabemos que este nosso grande “amor” é ainda assim muito pequenino e frágil; esta lembrança, esta saudade, não bastam, para não deixar morrer para sempre alguém, que partiu antes de nós. É preciso um amor mais forte do que a morte, para vencer a morte.

2. Jesus diz-nos que, para Deus, seu Pai, todos vivem! Só o Seu amor é mais forte do que a morte. O nosso Deus não é um Deus que vê os seus filhos morrer e vai ficando, cada vez mais, rodeado de mortos! Não. O nosso Deus não é um Deus de mortos, mas um Deus de vivos, porque para Ele todos vivem! Jesus diz-nos que o nosso Deus é amigo da vida e que dá vida aos seus amigos: não nos dá uma vida igual à que já temos, como quem prolonga a vida presente; não se trata menos ainda de uma vida de regresso ao passado. Não. A vida que Deus nos dá é uma vida nova, porque é uma vida transformada pelo Seu amor; é uma vida já sem dor, sem lamento. Esta é a vida futura dos filhos da ressurreição, dos filhos de Deus! Quem nos alcançou esta vitória da vida sobre a morte, foi Jesus, ao morrer como nós, para nos ressuscitar com Ele.

3. Mas, como assim? Como ressuscitam os mortos? São Paulo autoriza-nos a recorrer à imagem exemplar da semente e do seu fruto. Apesar de uma aparência diferente, entre a semente e o fruto, trata-se de uma mesma realidade, que ali estava escondida, mas que, uma vez lançada à terra, se manifesta em toda a sua beleza (Col 3,3).

Eis uma vida que não acaba, apenas se transforma! Assim também acontece com a ressurreição dos mortos. Graças ao poder de Deus, em dar vida, também a semente do nosso corpo, ganha, pela ressurreição, uma existência plena, nova! É algo de tão belo que já mais poderemos prever ou imaginar (cf. 1 Cor 5,42-44). Seremos como anjos, que refletem a luz de Deus!

Padre Amaro Gonçalo
Paróquia da Senhora da Hora (subsídios)


Calendário - mês de novembro


TERÇA-FEIRA DIA 1
Solenidade de todos os Santos
Missas às 9:00 - S. João de Malta
11:30 e 19:00 - S. Tiago

QUARTA-FEIRA DIA 2
Dia dos Fiéis defuntos
Missas às 9:00 - S. João de Malta
11:00 e 19:00 - S. Tiago

SÁBADO DIA 5
17:30 - Catequese
19:00 - Missa com a Catequese
Festa do acolhimento – 1º ano

DOMINGO DIA 6
Missas às 9:00 - S. João de Malta
11:30 e 19:00 - S. Tiago

SÁBADO DIA 12
17:30 - Catequese
19:00 - Missa com a Catequese

DOMINGO DIA 13
Missas às 9:00 - S. João de Malta
11:30 e 19:00 - S. Tiago

SÁBADO DIA 19
Solenidade de Cristo Rei
17:30 – Catequese
19:00 - Missa com a Catequese

DOMINGO DIA 20
Solenidade de Cristo Rei
Missas às 9:00 - S. João de Malta
11:30 e 19:00 - S. Tiago

SÁBADO DIA 26
I do Advento
17:30 – Catequese
19:00 - Missa com a Catequese

DOMINGO DIA 27
I do Advento
Missas às 9:00 - S. João de Malta
11:30 e 19:00 - S. Tiago



domingo, 31 de julho de 2016

Festa de Santo Inácio de Loyola

Foi com alegria que tivemos entre nós, durante a semana que passou, o Diácono João de Brito sj, que continuará ainda durante o próximo ano os seus estudos de Teologia em Madrid sobre: Fontes inacianas, história SJ, teologia jesuíta, espiritualidade inaciana. Ou seja, o "Master Ignaciano".
Hoje, na Festa de Santo Inácio de Loiola, o João trouxe à nossa Eucaristia uma bonita reflexão, recordando o carisma e Missão de Santo Inácio e ajudando-nos a interiorizar e a reafirmar  a pertença a esta Paróquia Jesuíta e à espiritualidade inaciana. 
De coração agradecido pelo bem recebido através dos jesuítas, deixamos a reflexão que foi feita, pedindo ao Senhor o guie no caminho que o espera até ao próximo ano em que será ordenado Sacerdote.



Feliz dia de Santo Inácio!

Que bom estar hoje aqui a celebrar este dia convosco. Estive cá há oito anos, como noviço, num tempo que me ficou como uma das memórias mais queridas do noviciado. Agradeço muito à comunidade jesuíta e à paroquial terem-me recebido tão bem nestes dias. Agradeço também ao Pe. Manuel/Rafael por ter-me confiado a homilia de hoje, com a oportunidade que é de vos dirigir a todos algumas palavras neste dia de festa. É curioso que, entre tantos nomes que tem esta igreja e a paróquia (São Pedro, São Tiago, Sag. Coração de Jesus), Santo Inácio não é um deles. No entanto, acredito que está discretamente presente em tudo, em modos de funcionar e critérios de decisão.

As leituras para esta solenidade são escolhidas a dedo. A primeira leitura e o salmo falam-nos de dois caminhos. Um de vida, felicidade e bênção e outro de morte, infelicidade e maldição. Dois caminhos entre os quais há que escolher, tal como as duas bandeiras de que nos fala Santo Inácio nos Exercícios Espirituais que nos propõe. Uma bandeira que é a de Cristo, de pobreza, humilhações e humildade, e outra do inimigo, de riquezas, honras e orgulho. Paradoxalmente, o caminho da vida, da felicidade e da bênção está escondido na cruz. Na segunda leitura, São Paulo faz uma menção autobiográfica relatando uma passagem da sua vida que se assemelha à de Santo Inácio. Um homem convertido a Deus, uma vida que muda ao encontrar-se com Jesus não querendo já mais que a sua maior glória.

Centrando-nos no Evangelho, encontramos duas perguntas. A primeira é só para aquecer. “Quem dizem as multidões que Eu sou?”. E vão respondendo. “Um dos profetas… João Baptista…” Mas a segunda já é mais séria: “E vós, quem dizeis que Eu sou?” Podemos imaginar os discípulos. Têm Jesus diante deles com aquela pergunta… “E agora? O que é que respondemos?” Pedro enche-se de coragem e chega-se à frente: “Tu és o Messias de Deus”. E tem razão, é mesmo. Mas Jesus ajuda-o a ver que o seu messianismo não é feito de riquezas, honras e orgulho, mas de pobreza, humilhação e humildade.

Mas o Evangelho devolve-nos também a mesma pergunta. E nós? Quem dizemos nós que é Jesus? Na verdade, a nossa vida responde sempre a esta pergunta. Umas vezes de forma mais consciente, outras inconscientemente. Olhemos para as nossas outras relações quotidianas. Uma mãe relaciona-se de uma forma particular com o seu filho e vice-versa. Sorrio para a minha mãe da forma que sorrio e tenho para com ela os gestos que tenho porque ela é a minha mãe. Um patrão para com o seu empregado e este para com o seu patrão também actuam segundo essa relação. Da mesma forma para com os nossos amigos ou inimigos. Ou se uma pessoa é interessante ou, pelo contrário, aborrecida. Mesmo sem dizer nada, o nosso modo de olhar e actuar manifesta quem é aquela pessoa para nós.

Da mesma forma, a nossa vida decorre toda diante do Senhor. E em cada circunstância, com o que fazemos ou deixamos de fazer, dizemos ou deixamos de dizer, vamos respondendo a esta pergunta: “Quem digo eu que é Jesus para mim?”. Algumas vezes tocar-nos-á também responder de forma consciente a esta pergunta. Hoje, no entanto, em vez de responder, proponho que façamos duas perguntas.

Primeiro, perguntemos-lhe a Santo Inácio: “Quem dizes tu que é Jesus?”. E Santo Inácio dir-nos-ia:

Ele é o Cristo pobre e humilde. (uma expressão que lhe era tão querida, usada por ele frequentemente nos seus escritos)

É o Cristo que na cruz me diz que a minha miséria própria, feita de faltas e fragilidades, não é o fim do mundo. Se fosse, Ele não se tinha entregado por mim. É o Cristo que responde ao meu pecado com a entrega amorosa na cruz.

É o Cristo que se fez homem por mim, nascido pobre em Belém e anunciando, com palavras e gestos a chegada do Reino de Deus. O Cristo que desejo conhecer internamente, para mais o amar e seguir.

É o Cristo que aceita a dor e o sofrimento da sua Paixão porque me quer salvar. Que sofre a condenação injusta que tantos, antes e depois dele, sofreram e sofrem. Sofre-a, até das minhas próprias mãos, porque me ama.

É o Cristo glorioso da Ressurreição, que tanta alegria me traz e vem com o ofício de consolar a todos em qualquer aflição em que se encontrem, em qualquer sofrimento, como um amigo consola o outro.

É o Cristo a quem devo eterna gratidão por tanto bem recebido.

Este é o Cristo de Santo Inácio, por quem se fez peregrino da maior glória de Deus.
A segunda pergunta, proponho que a façamos ao próprio Senhor. Na eucaristia de hoje, em particular na comunhão, perguntemos-lhe nós: “Senhor, quem dizes Tu que eu sou?”. E, sem respostas feitas, ouçamos o que Ele nos disser. É a partir dessa resposta que poderemos dar a nossa.

Assim seja.

(João de Brito, sj)


domingo, 15 de maio de 2016

Solenidades do Pentecostes

O medo não habita a nossa casa
O medo transforma a nossa casa em fortaleza
Tranca portas e janelas
Esconde-se debaixo da mesa.

Mas vem Jesus e senta-nos à mesa
Começa a contar histórias e estrelas
Leva-nos até ao colo de Abraão, até à Criação,
Sopra sobre nós um vento novo,
Rasga uma estrada direitinha ao coração:
Chama-se Perdão, Espírito, Amor, Nova Criação.

Varrido para o canto da casa pelo vento,
Rapidamente todo o medo arde.
Ardem também bolsas, portas e paredes,
E surge um lume novo a arder dentro de nós
Mas esse não nos queima nem o podemos apagar.

Estamos lá tantos à roda desse vento, desse fogo,
Com esse vento, com esse fogo dentro,
Portugueses, russos, gregos e chineses,
Começamos a falar e tão bem nos entendemos,
Que custa a crer que tenhamos passaportes diferentes.

E afinal não temos.
Vendo melhor, maternais mãos invisíveis nos embalam,
Nos sustentam.
Sentimos que estamos a nascer de novo,
Percebemos que somos irmãos,
Filhos renascidos deste vento, deste lume.
E não é verdade que falamos,
Mas que alguém dentro de nós fala por nós,
Chama por Deus,
Como um menino pelo Pai.


D. António Couto

       Imagem: Marko Rupnik